O administrador da página "Guarujá Alerta", perfil noticioso no Facebook
que divulgou o retrato falado de uma suposta sequestradora de crianças,
afirmou à polícia que retirou a imagem do ar após perceber que o caso
se tratava de um boato, segundo sua defesa.
Fabiane foi linchada por um grupo de pessoas na periferia de Guarujá, na Baixada Santista,
no último sábado (6), após ser confundida com uma suposta sequestradora
de crianças que teve um retrato falado divulgado na rede social.
Fabiane morreu ontem e foi enterrada hoje.
O responsável pela página depôs nesta terça-feira (10) à Polícia Civil no inquérito que apura a morte da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, 33.
O nome do administrador da página não foi divulgado. Segundo seu
advogado, Diego Scarpa, a defesa solicitou segredo de justiça porque ele
teria recebido "mais de mil comentários com ameaças" na rede social.
Em cerca de duas horas de depoimento, o administrador entregou à
polícia a senha da página e disponibilizou o conteúdo das postagens
sobre o caso.
Segundo Scarpa, o site recebeu, por volta do dia 25 de abril, a imagem
do retrato falado de uma mulher que supostamente estaria sequestrando
crianças para fins de magia negra.
O defensor afirmou que o responsável pelo site checou a existência de
relatos semelhantes ligados a esse rosto em outros Estados.
"Tudo que chega ao Guarujá Alerta é averiguado por meio da polícia e na
internet. Encontramos esse mesmo retratado falado em sites de outros
Estados, como Bahia e Rio. Desde então, passamos a afirmar que se
tratava de um boato", disse o advogado.
Ele disse que a imagem do retrato falado foi apagada do perfil "Guarujá
Alerta" no Facebook para evitar que pudesse prejudicar alguma pessoa.
O advogado afirmou ainda que o administrador do site depôs apenas como
testemunha, e não como suspeito. "Em momento algum foi informado que ele
seria indiciado", disse o defensor.
Vídeo
Um vídeo entregue à reportagem pelo advogado da família mostra Fabiane levando paulada e sendo agredida por alguns moradores de Morrinhos quando ainda estava viva.
Nas imagens, uma pessoa levanta a cabeça de Fabiane puxando pelos
cabelos e a joga contra o chão. Ainda com o corpo da dona de casa
estendido no chão, outro morador passa com o pneu de uma bicicleta por
cima dela.
A paróquia São João Batista, frequentada por Fabiane, mandou uma coroa
de flores para o enterro. Cartazes pedindo justiça traziam fotos da dona
de casa e diziam "injustiça", "inocente" e "mãe de família".